Na sua imediata expressão visual, a cidade de Viseu estrutura-se nos monumentos do centro histórico e no desenho da rede viária que lhe define o perímetro. Os jardins bem cuidados inscrevem-se na malha urbana complexa e as serras do envolvente definem-lhe o horizonte. Porém, a cidade não se esgota na pluralidade de formas, espaços e objectos que a configuram e a reificam como entidade visível. A cidade não se define pelas coordenadas geográficas que a inscrevem no mapa, lhe precisam o território, lhe caracterizam o relevo, o clima, as proximidades montanhosas, a rede viária ou o número de habitantes. A cidade não se descreve plenamente – imprecisa, mutante e complexa como realmente é – através dos monumentos, das ruas, das casas, das praças ou dos jardins.
A cidade define-se pela sua transformação constante e pelas possibilidades infinitas de apropriação que oferece. A cidade define-se pela ligação profundamente comprometida que mantém com os que nela habitam e habitaram, e com os que com ela, de algum modo, se relacionam. No que tem de visível e de invisível, no que tem de mais simples e de mais complexo, a cidade reflete o modo plural como é apropriada. A cidade marca a nossa vida e nós marcamos a vida dela.